11 novembro 2013

Saramago e a singularidade de escrever

Diegowalonso

Li uma vez não sei onde que a galáxia a que pertence o nosso sistema solar se dirige para uma constelação de que agora não me lembra o nome, essa constelação dirige-se, por sua vez, para um certo ponto do espaço, gostaria de ser mais exacto, mas a minha cabeça não reteve os pormenores, no entanto o que eu queria dizer era o seguinte, ora reparem, nós aqui vamos andando sobre a península, a península navega sobre o mar, o mar roda com a terra a que pertence, e a terra vai rodando sobre si mesma, e, enquanto roda sobre si mesma, roda também à volta do sol, e o sol também gira sobre si mesmo, e tudo isto vai na direcção da tal constelação, então o que eu pergunto, se não somos o extremo menor desta cadeia de movimentos dentro dos movimentos, o que gostaria de saber é o que é que se move dentro de nós e para onde vai?  Não me refiro a lombrigas, micróbios e bactérias, esses vivos que habitam em nós, falo doutra coisa, duma coisa que se mova e que talvez nos mova, como se move e nos movem constelação, galáxia, sistema solar, sol, terra, mar, península...
Que nome finalmente tem o que a tudo move, de uma extremidade da cadeia à outra, ou cadeia não existira e o universo talvez seja um anel, simultaneamente tão delgado que parece que só nós, e o que em nós cabe cabemos nele, e tão grosso que possa conter máxima dimensão no universo que ele próprio é... Com o homem começa o que não é visível.
Página 258, A Jangada de Pedra

A Península Ibérica começa a abrir fendas, depois separa-se definitivamente da Europa e começa a sua navegação em direção ao norte. Saber por que razão a península rachara pelos Pirenéus era a coisa de que já se desistira...
Entre tantas, a complexidade de Saramago e a singularidade e particularidade de seus personagens, são uma das coisas que prendem o leitor em suas histórias fascinantes e muito bem trabalhadas obras. A sua singularidade e clareza em suas palavras é o que realmente nos prende. 
A Jangada de Pedra é uma história bela e envolvente.

4 comentários:

  1. Só eu me sinto meio burra lendo livros desse gênero do Saramago? Nunca li nenhum livro dele mas só esse trecho me fez ficar confusa. hahaha
    Acho que nunca vou ler algo dele, comecei a ver o filme Ensaio Sobre a Cegueira e não gostei de forma alguma, tanto que não consegui assistir até o final. Talvez eu não goste de ver a "realidade" nua a crua das coisas (de acordo com ele), sei lá, mas não gostei.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Carla! Não é questão de burrice. Pode ser questão de gosto.
      É que Saramago é tão complexo que as vezes nos deixam com o queixo no chão ou quase no ápice da loucura. Posso te dizer, que no início quando li o primeiro livro dele, fiquei bastante confusa.
      Ah, o filme, o que posso falar do filme? Hum... Esses filmes não se comparam com os livros, apesar de não ter lido "Ensaio Sobre a cegueira" todo, o filme não chegam aos pés do livro. :)

      Excluir
  2. Já não é a primeira vez que post algo do Saramago.
    Tenho muita vontade de ler alguma coisa dele. Mas quando vou a biblioteca, me perco nos vários titulos. E esqueço de procurar o que realmente quero.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah não mesmo Natha. :)
      Leia sim, você vai gostar. É um autor muito singular e direto no que diz, sem nhén nhén nhéns! :)

      Excluir

BLOG SEJA LIVRE, VOE! | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS 2015 ©| Design e Código: Layanne Eduarda | • voltar ao topo