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02 maio 2015

Ensaio sobre a cegueira


"É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade."


Quando  lemos, saímos do nosso mundo, entramos em outro conforto. Imaginamos, viajamos, somos seduzidos pelo prazer de ler. Mas quando lemos Saramago é diferente, saímos do nosso conforto habitual, a leitura é intrigante, forte, marcante. Outra uma vez me surpreendi com mais uma obra dele,  "Ensaio Sobre a Cegueira".
O livro me fez pensar ainda mais no que somos. O que é a humanidade? Para onde vamos? O que cada ser é singularmente? O que somos capazes de fazer? Somos tão egoístas que não paramos para pensar no próximo?

Saramago encanta com esse livro, e no final nos perguntamos: " É preciso cegarem-se todos para que enxerguemos a essência de cada um?"


"Mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos."

13 março 2015

Nem tudo tem resposta

Oh, trouble, move away... by MeninaLua

Conheci uma garotinha tão cheia de complexidades, 
Pra tudo tinha perguntas,
pra tudo, queria respostas.
As respostas... não muitas vezes ela obtinha.
Mas ela continuava a se perguntar.
Um dia essa garotinha se foi, e as perguntas se foram com ela.

- E as respostas? 
- As respostam?  Ficaram.

27 fevereiro 2015

Cristina

Despedida – Por @RaianeMorbis |

De tanta Amargura na vida 
Cristina queria  fugir.
Sentou-se num banquinho no fundo do quintal.

Achou que deveria ser ela mesma.
Tirou as sandálias, ficou descalça, 
sentiu a areia entre seus dedos.

Percebeu o chão geladinho 
e lembrou-se da infância.
Pretendeu ir mais longe,
fechou os olhos...

Foi aí que viu o mundo girar dentro da cabeça.
Lembrou de como era correr entre os arbustos da casa ao lado, 
de tocar a campainha do vizinho e sair correndo,
de gritar na rua sem se importar com o que pensavam...

Do primeiro beijo roubado, 
De como suas bochechas ficaram enrubescidas.
De como era macio o toque... 

O primeiro desamor.
A dor que sentiu. O amargo. O desgosto.
Abriu os olhos, 
viu que escureceu.
Cresceu.

(Layanne Eduarda)

28 janeiro 2015

As vantagens de ser invisível


 Acabei de lê-lo, pode não ter sido o livro perfeito, claro, nem tudo é perfeito, mas é simplesmente a vida de um garoto entrando na adolescência sofrendo com um trauma e com as perdas. Conhece no colégio, Sam e Patrick que se tornam seus amigos e lhes mostram que viver, pode ser muito mais simples do que ele imagina.
Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas.

14 dezembro 2014

A cidade do Sol

José há de voltar a Canaã, não se lamente,Cabanas vão se tornar jardins de rosas, não se lamente.Se as águas chegarem destruindo tudo que vive,Noé será seu guia em meio à tempestade, não se lamente.

Acabei de ler esse livro, com um nó na garganta e um sorriso de esperança na cara.
Tentei me imaginar na situação de ambas as moças, e por tudo que já passei e pelo que vi muitas pessoas passarem, de muitas vezes achar que o lugar que vivo não é tão bom quando eu queria que fosse, me faz parar e refletir que existem famílias que sofrem algo pior. E que a gente sempre está em busca de algo melhor para nós mesmos. E parar para se colocar no lugar das pessoas antes de pensar no nosso próprio "eu" e sermos melhores pessoas, fazemos isso?


20 novembro 2014

Opção de fuga da realidade vivida e torturante

Untitled
Fui para outro lugar dentro de minha cabeça. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou inflexível. 

O oceano no fim do caminho, pág. 72
Neil Gaiman

11 novembro 2013

Saramago e a singularidade de escrever

Diegowalonso

Li uma vez não sei onde que a galáxia a que pertence o nosso sistema solar se dirige para uma constelação de que agora não me lembra o nome, essa constelação dirige-se, por sua vez, para um certo ponto do espaço, gostaria de ser mais exacto, mas a minha cabeça não reteve os pormenores, no entanto o que eu queria dizer era o seguinte, ora reparem, nós aqui vamos andando sobre a península, a península navega sobre o mar, o mar roda com a terra a que pertence, e a terra vai rodando sobre si mesma, e, enquanto roda sobre si mesma, roda também à volta do sol, e o sol também gira sobre si mesmo, e tudo isto vai na direcção da tal constelação, então o que eu pergunto, se não somos o extremo menor desta cadeia de movimentos dentro dos movimentos, o que gostaria de saber é o que é que se move dentro de nós e para onde vai?  Não me refiro a lombrigas, micróbios e bactérias, esses vivos que habitam em nós, falo doutra coisa, duma coisa que se mova e que talvez nos mova, como se move e nos movem constelação, galáxia, sistema solar, sol, terra, mar, península...
Que nome finalmente tem o que a tudo move, de uma extremidade da cadeia à outra, ou cadeia não existira e o universo talvez seja um anel, simultaneamente tão delgado que parece que só nós, e o que em nós cabe cabemos nele, e tão grosso que possa conter máxima dimensão no universo que ele próprio é... Com o homem começa o que não é visível.
Página 258, A Jangada de Pedra

A Península Ibérica começa a abrir fendas, depois separa-se definitivamente da Europa e começa a sua navegação em direção ao norte. Saber por que razão a península rachara pelos Pirenéus era a coisa de que já se desistira...
Entre tantas, a complexidade de Saramago e a singularidade e particularidade de seus personagens, são uma das coisas que prendem o leitor em suas histórias fascinantes e muito bem trabalhadas obras. A sua singularidade e clareza em suas palavras é o que realmente nos prende. 
A Jangada de Pedra é uma história bela e envolvente.

11 outubro 2013

Saramago em poucas e boas palavras

Um corpo tem um princípio e um fim, começa na pele e acaba nela, o que está dentro pertence-lhe, mas precisa de sossego, independência, autonomia de funcionamento, dormir abraçados exige uma harmonia de encaixes que o sono de cada um desajusta, acorda-se com o braço dormente, um cotovelo fincado nas costelas, e então dizemos baixinho, reunindo toda a ternura possível, Meu amor chega-te para lá.

José Saramago, A jangada de Pedra
Casal

24 setembro 2013

O que precisamos para mudar a vida?

Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos, depois voltamos ao princípio, tornamos a pensar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os esponjinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas secas, insignificâncias, que para não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terras de tufões.   - José Saramago, A Jangada de Pedra
Resultados da Pesquisa de imagens do Google para http://4.bp.blogspot.com/-PTvzV2c8dVk/TsMfwmnR62I/AAAAAAAABDo/2IWO4cv8ogs/s1600/6e29e03fc893_jose_saramago_leandro_schenk.jpg 

22 julho 2013

Ora, as vacas também têm histórias!

Pinterest
As vacas têm história. Esta sim, foram doze dias e doze noites nuns montes de galiza, com frio, e chuva, e gelo, e lama, e pedras como navalhas, e mato como unhas, e breves intervalos de descanso, e mais combates e investidas, e uivos, e mugidos, a história de uma vaca que se perdeu nos campos com a sua cria de leite, e se viu rodeada de lobos durante doze dias e doze noites, e foi obrigada a defender-se e a defender o filho, uma longuíssima batalha, a agonia de viver no limiar da morte, um círculo de dentes, de goelas abertas, as arremetidas bruscas, as cornadas que não podiam faltar, de ter de lutar por si mesma e por um animalzinho que ainda não se podia valer, e também aqueles momentos em que o vitelo procurava as tetas da mãe, e sugava lentamente, enquanto os lobos se aproximavam, de espinhaço raso e orelhas aguçadas.
Ao fim dos doze dias a vaca foi encontrada e salva, mais o vitelo, e foram levados em triunfo para aldeia, porém mais dois dias, ao fim dos quais, porque se tinha tornado brava, porque aprendera a defender-se, porque ninguém podia dominá-la ou sequer aproximar-se dela, a vaca foi morta, mataram-na, não os lobos que em doze dias vencera, mas os mesmo homens que a haviam salvo, talvez o próprio dono, incapaz de compreender que, tendo aprendido a lutar, aquele antes conformado e pacífico animal não poderia parar nunca mais.

José Saramago
A viagem do elefante

30 maio 2013

Parte de quem sou

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"Creio que, desde muito pequeno, minha infelicidade, e ao mesmo tempo 
minha felicidade, foi não aceitar as coisas com facilidade. Não me 
bastava que explicassem ou afirmassem algo. Para mim, ao contrário, em 
cada palavra ou objeto começava um itinerário misterioso que às vezes me
esclarecia e às vezes chegava a me estilhaçar"

"Em suma, desde pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, 
não se diferencia de minha relação com o mundo no geral. Eu pareço ter 
nascido para não aceitar as coisas tal como me são dadas."

Julio Cortázar
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